domingo, 1 de fevereiro de 2015

BOKO HARAN

Grupo extremista Boko Haram surgiu como seita e virou grupo armado


Milícia radical sequestrou mais de 200 estudantes na Nigéria.
Sua atuação já resultou na morte de pelos menos 1.500 pessoas.

Do G1, em São Paulo
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O grupo radical islâmico Boko Haram, que intensificou seus ataques nas últimas semanas na Nigéria e assumiu a autoria do sequestro de mais de 200 estudantes, nasceu de uma seita que atraiu jovens do norte do país.
Seus líderes são críticos em relação ao governo nigeriano e querem estabelecer a lei do Islâ no país. Além disso, condenam a educação ocidental e são contra mulheres frequentarem a escola.
Arte mapa sequestro Nigéria (Foto: G1)
Boko Haram significa "a educação ocidental é pecaminosa” em hausa, a língua mais falada no norte da Nigéria.
Para Mohammed Yusuf, fundador da seita, os valores ocidentais, instaurados pelos colonizadores britânicos, são a fonte de todos os males sofridos pelo país. Ele atraiu a juventude de Maiduguri, capital do estado de Borno, com um discurso agressivo contra o governo da Nigéria. “O objetivo é estabelecer uma república islâmica”, afirma o pesquisador francês Marc-Antoine Pérouse de Montclos.
Segundo informações da agência AFP, o grupo recruta novos membros principalmente entre os "almajirai", estudantes islâmicos itinerantes, que não tiveram acesso a uma educação de qualidade. Também recebe apoio de intelectuais que consideram que a educação ocidental corrompe o Islã tradicional.
Em 2002, o grupo começou a chamar a atenção das autoridades. Em julho de 2009, eclodiram confrontos entre a polícia e os membros do Boko Haram no nordeste da Nigéria, região onde tem maior atuação. Em uma grande operação, o Exército matou 700 pessoas e capturou Yusuf, que foi executado.
O movimento passou a agir na ilegalidade e alguns de seus integrantes fugiram para o exterior, onde foram influenciados por um movimento jihadista internacional que os convenceu a deixar os protestos pacíficos.
Imagem é de um vídeo obtido pela agência AFP, que mostra o líder do grupo Boko Haram, Abubakar Shekau, durante um discurso (Foto: AFP/Boko Haram)Imagem de vídeo do líder do Boko Haram, Abubakar
Shekau, durante discurso (Foto: AFP/Boko Haram)
Nesse estágio, o objetivo do grupo já não era apenas impor a lei islâmica na Nigéria, mas desestabilizar o Estado com uma estratégia terrorista de medo e pânico. Abubakar Shekau, que era o braço direito do líder executado, assumiu então o comando do Boko Haram.
Considerado um “terrorista global” pelosEstados Unidos, Shekau foi por duas vezes dado como morto pela polícia nigeriana, antes de reaparecer em vídeos.
O que se seguiu foi uma escalada da violência, com dezenas de ataques a escolas, igrejas, mesquitas e símbolos do Estado e das forças de ordem, deixando milhares de mortos.
Segundo relatório do Human Rights Watch, entre julho de 2009 e dezembro de 2012, pelo menos 1.500 pessoas morreram na Nigéria vítimas de ações do Boko Haram ou em conflitos do grupo com as forças de segurança locais.
Ataques
Entre os atos terroristas do Boko Haram está o ataque à sede da ONU que matou 23 pessoas em Abuja, capital da Nigéria, em agosto de 2011. Em 25 de dezembro desse mesmo ano, um ataque a bomba à igreja de Santa Theresa, na cidade de Madalla, deixou 43 mortos.
Ataque do Boko Haram contra igreja cristã no Natal matou pelo menos 27. (Foto: Reuters)Ataque do grupo Boko Haram a igreja cristã no Natal
de 2011, que matou 43 pessoas. (Foto: Reuters)
Recentemente, dois ataques à mesma rodoviária na periferia de Abuja, em menos de três semanas, causaram 90 mortes.
A violência que atinge tanto muçulmanos como cristãos aumentou nos três estados do nordeste da Nigéria desde o estabelecimento do estado de emergência, em maio de 2013, e da brutal ofensiva do Exército, considerado responsável por massacres em localidades suspeitas de abrigar o Boko Haram. Em resposta, o grupo destrói aldeias inteiras suspeitas de colaborar com o Exército.
Segundo diplomatas, membros do Boko Haram foram treinados pela AQMI (Al-Qaeda no Magrebe Islâmico) no norte do Mali entre 2012 e 2013. Além disso, afirmam que o Boko Haram está presente no Níger, Chade e Camarões, países que serviriam de base para o grupo.
Com ações focadas na Nigéria, o grupo é autor de apenas um sequestro de estrangeiros - a família francesa Moulin-Fournier, em fevereiro de 2013. As vítimas foram libertadas dois meses depois. Em termos de financiamento, o Boko Haram recebe apoio de fiéis nas mesquitas e organiza assaltos a bancos.

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